Caipirinha Sueca

November 7, 2006

BLOG NOVO

Filed under: Cotidiano — marina (suecia) @ 8:32 am

Tomei coragem… vou continuar a escrever. O Caipirinha fica como registro do meu passado… já o Virada à Paulista vira o presente:

http://viradoapaulista.pixelzine.com

Aos poucos vou arrumando a nova casa.

Obrigada por todos os comentários e emails. Vou responder a todos devagarinho. Chega de deprê, está na hora de reagir!!

 

October 29, 2006

Da dor ao pó

Filed under: Cotidiano — marina (suecia) @ 3:57 am

Daqui a exatamente 4 horas vou fechar a porta dessa casa… e quase 7 anos de um amor incondicional. Durante todos estes últimos dias, sozinha aqui em casa, vi como sou querida. A família do Daniel veio aqui todos os dias me dar apoio, os amigos também… isso sem contar emails carinhosos, comentários de força e paz, sms, e telefonemas de gente se propondo a mover o mundo por minha causa.

Minha mãe e meu pai foram meus heróis. Eles não mediram esforços para me ajudar, qualquer que fosse a hora do dia, gastando uma montanha de dinheiro para que eu possa seguir para os braços deles. Ninguém entende as razões do Daniel… isso porque elas são egoístas e injustas, imaturas. Por mais que ele diga que não me ama mais, quem conhece ele sabe bem que os motivos são outros. Cada pessoa que aqui me visitou chegou a mesma conclusão.

Me disseram que tinham a esperança de entrar aqui e ver que tudo tinha ficado bem entre nós. Eu também tive essa esperança a cada peça de roupa dobrada, a cada enfeite embrulhado em jornal, a cada caixa fechada. Eu tive a esperança de um telefonema dele, de vê-lo entrando pela porta dizendo que estava arrependido. Eu tive esse sonho infantil porque a rejeição é grande demais para suportar, mas que na prática não significaria nada… Sem o amor dele por mim, e sem a minha confiança nele, não existe razão para tentar mais uma vez, e enfrentar a vida no exterior. O que o Daniel fez foi literalmente um tiro de misericórdia na minha alma; quebrou demais, não há mais jeito.

Dizem que a alma da gente pesa 21g. Acredito que quando ele esmigalhou a minha, o peso era os 5kg a menos que sumiram do meu corpo em 4 dias. É a boca rachada por não conseguir beber água, é o estômago vazio de ânsia de vômito. É a dor de ver tudo que eu lutei para construir ser derrubado por uma imbecilidade.

O pai dele disse que vai me ajudar com os trâmites legais. Insiste que eu receba 50% do valor da casa, e disse para eu não me preocupar porque vou receber tudo que é meu de direito. Ele está tão envergonhado pelo que o filho fez… assim como a mãe e a irmã, que não param de chorar.

Todos me disseram que eu tenho uma força sobre-humana. Ninguém entende que eu não tenho escolha, que não há tempo para fraquejar agora. Chorei, chorei muito até que as lágrimas secaram, por enquanto, e tive uma pausa para poder agir. Dizem que o maior choque dele vai ser entrar aqui e ver que eu fui embora concretamente. Não acredito que venha a durar muito, pois a vida dele só tem espaço para os sonhos dele. Que ele volte para o mundinho virtual da fama achando que é suficiente para preencher o vazio e a baixa auto-estima dele. Tudo isso é tão desnecessário…

Não quero mais ouvir falar nele, e nem ouvir as músicas dele. Deixe que ele viva o sonho de astro do rock. Uma hora ele cai na real e vê o preço alto que pagou. Mas não importa mesmo, porque passou a ser tarde demais na própria quarta-feira, 25 de outubro de 2006, 23:45h.

Quanto ao blog… talvez eu venha a abrir outro. Por enquanto preciso de um tempo… Mas eu deixo o novo endereço em breve. Meu email: caipirinhasueca@gmail.com

Marina

October 25, 2006

Carta longa… de despedida

Filed under: Cotidiano — marina (suecia) @ 8:36 pm

Quando eu conheci o Daniel, a minha vida mudou completamente. Era como se eu estivesse andando nas nuvens, eu tinha finalmente encontrado o homem que tanto rezei para Deus me dar. Um amor fora do normal, que encheu o peito, que me deu coragem de enfrentar o mundo (literalmente). Decidimos que iríamos morar juntos, que iríamos envelhecer juntos, ter filhos, netos, bisnetos. Eu vi meu futuro brilhante como diamente. Não, não seria fácil, sempre soube disso. Ficar longe da família que eu amo, dos amigos, da língua, da cultura… Ficar longe da minha amada São Paulo.

Vir para cá foi o maior ato de coragem que eu poderia ter. Claro que bateu o medo de ficar sozinha, o medo do desconhecido. Quando comecei a ver a realidade da vida no estrangeiro, com um estrangeiro, o monstro era enorme, tão grande que eu nem conseguia ver o fim. Daí o sorriso dele se tornou importante, porque através do sorriso eu encontrava mais forças para enfrentar o que viesse. Os sonhos de casamento continuavam…

A realidade é diferente daqueles contos de fada que a gente cresce ouvindo. “E eles viveram felizes para sempre”… balela. Não existe o 100% feliz, porque todo relacionamento tem seus altos e baixos. E como numa montanha-russa, a gente espera que o impulso dos “baixos” tenha força suficiente para levantar o carrinho até o topo da montanha.

Hoje o meu carrinho não ganhou impulso. O Daniel acabou de dizer que não me ama mais… não o suficiente para continuar o relacionamento. Acabou… meu sonhos, o casamento, os netos e os bisnetos. E o meu coração foi violentado e estuprado, esmigalhado até que não sobrou mais nada. A realidade bateu forte novamente, mas numa foto muito mais sombria. Nunca suspeitei que ele não tivesse cuidado do amor por mim… nunca suspeitei que ele estivesse em dúvida, talvez por ingenuidade minha, mas provavelmente porque ele não teve a consideração de me contar quando o problema começou a surgir. Ninguém tem culpa de parar de amar porque ninguém escolhe quando amar… Mas a gente tem a obrigação de encontrar uma coisa boa sobre o companheiro diariamente, e assim manter a chama acesa e o amor interessante.

Junto com a minha dor veio a incerteza ainda maior: o que vai ser de mim? Da minha vida? Já tinha ouvido dizer que a gente nunca deve abandonar a própria vida em prol do outro. Nesses 6 anos, 10 meses e 25 dias eu abandonei meus próprios sonhos, a minha carreira profissional, tudo que eu conhecia por mim mesmo, que me define como Marina, para dar chance de vencer nesse relacionamento. Agora que eu tenho que voltar para a minha amada terrinha, não sei o que vai ser do meu futuro… 30 anos de idade, sem experiência na minha carreira estudantil? Quem vai me querer? O futuro parece tão violento… mais violento do que o monstro que eu vivi.

Estou tentando marcar a passagem de volta para a semana que vem… O pensamento de morte, de querer morrer, de gritar com toda a força do meu ser “burra, burra, burra”…

Eu sei que vou sobreviver…acho que vou, ao menos… Mas hoje morreu um pedaço de mim…. hoje a Marina morreu, quem escreve é a casca, o resto que sobrou. Hoje a Marina está traumatizada num nível que é difícil descrever, com raiva do Daniel por ele não ter sido sincero comigo, por não ter tido a coragem de ser honesto e de ter confiado em mim. Ele ainda pediu para sermos amigos…. não… não quero mais amizade com ele, quero deletá-lo da minha vida… quero limpar essa casa até que desapareça todos os vestígios de que um dia uma Marina viveu aqui… vou apagar todos e quaisquer vestígios dele também. Não foi só a Marina que morreu, ele matou o Daniel também… por uma questão de sobrevivência… Seguir com esse amor grandioso, potente, bonito, sincero… não dá mais. Se eu não arrancar pela raíz, nunca mais vou conseguir ser feliz.

A dor é tão imensa que eu não tenho nem forças para chorar… Aliás, não é nem a hora certa para chorar. Tenho que comprar a passagem, tenho que empacotar as minhas coisas, tenho que agilizar tudo para que eu possa ir o mais rápido possível. Tenho que correr até criar bolhas nos pés, até perder o fôlego, e assim deitar a cabeça no colo da minha mãezinha… e ouvir os conselhos dela, e sentir o amor dela, e a promessa de que um dia eu vou encontrar alguém que me queira realmente… Sonhar em casar, ter filhos, netos e bisnetos… Um homem que venha a colocar a fé no amor no meu coração… que pegue fita crepe e remende o que sobrou de mim…

Nunca imaginei que esse dia chegasse… o dia que eu dissesse adeus. Hoje a Marina morreu e não tem sequer um pedacinho em pé para contar a estória. Hoje a Marina começou a matar o maior amor da vida dela… hoje a Marina diz adeus aos amigos e amigas que me acompanharam durante anos nessa Caipirinha Sueca, só que o copo esvaziou e assim o blog terminou. E, a única coisa que resta à dizer é:

Mãe… estou voltando para casa.

Megadeth

Filed under: Cotidiano, deviantart — marina (suecia) @ 3:41 pm

Mais um desenho feito entre um ataque de febre e outro. Muito bom relaxar no sofá com meu estojo e o meu caderno de desenhos!! Mas agora eu já estou super bem, nem entupido o nariz está mais. Amanhã vou trabalhar (de verdade, sendo paga) por algumas horas. O Daniel está de malas prontas para ir para Londres amanhã e eu vou ficar 4 dias sozinha aqui em casa.

Clique na imagem para ampliar e ver os detalhes. Se tiver curiosidade, dá uma passadinha na página principal da minha galeria online e dê uma conferida nos meus trabalhos. ;) Cada vez que alguém abre a página principal, eu recebo mais destaque no Deviantart…. hehehehe… ó eu minguando pontos aqui.

October 23, 2006

Hospedeira

Filed under: Cotidiano — marina (suecia) @ 7:48 am

Acordei as 6 da matina, tudo escuro… fui trabalhar e me mandaram de volta para casa porque estou gripadíssima e represento “risco de infecção geral na unidade”. Yey!

Bão mesmo foi a chefe geral dos “extras” ligando lá. Quando eu atendi o telefone ela disse “Marina?! Ué, liguei errado?! O que você está fazendo aí?!”… heheheheh…

Meu nariz já está queimando e isso significa febre… mas como é a única oportunidade que eu tenho de usar o computador, prefiro me aguentar um pouquinho mais em pé e aproveitar para me atualizar.

October 19, 2006

11:51 da noite

Filed under: Cotidiano, Internet — marina (suecia) @ 5:51 pm

Olha, só jogando um balde de água fria para tirar o Daniel da frente do computador!! Parece até que criou raíz, meu! A almofada da cadeira já está com o formato da bunda dele.

Falando no bicho, eu acabei de sentar aqui e ele, quase que por bruxaria, se materializa na minha frente dizendo que precisa usar o pc urgentemente. Sei a urgência dele…

E falando em computador, o Eduardo lançou um site para Mac-maníacos. Tudo sobre a Apple, desde novidades tecnológicas até entrevistas com outros viciados em produtos Apple. O portal é chamado Macsin e é bem interessante mesmo para quem, como eu, ainda tem contrato com o coisa-ruim da Microsoft. Acho que ele deveria mandar o link para a Cora Ronai…. heheheheh…

October 18, 2006

Música

Filed under: Cotidiano, Música — marina (suecia) @ 6:33 am

E o Daniel está à toda! Uma das maiores revistas de músicas suecas está colocando a banda dele como banda demo destaque, com entrevista, fotos e tudo mais. Além disso a venda dos EPs já rendeu uma graninha boa o suficiente para que eles possam viajar e produzir mais cds.

O Daniel foi convidado a cantar em projetos com duas grandes bandas alternativas do mundinho underground:

  e

Enquanto isso eu continuo trabalhando no asilo. Hoje entro as 14:30h. O resto está tudo jóia, o frio já chegou e eu estou ansiosamente esperando pela primeria neve do ano. ;)

October 14, 2006

Podre

Filed under: Cotidiano — marina (suecia) @ 12:37 am

Eu odeio acordar 6h da manhã, num sábado, para trabalhar…

October 13, 2006

Estágio

Filed under: escola — marina (suecia) @ 4:13 am

Essa semana comecei meu estágio na parte de Demência e Alzheimer do asilo da cidade. Nossa, como eu estou adorando! Primeiro que a minha líder é o máximo de legal e engraçada, e ela sempre vem com umas idéias geniais para melhorar ainda mais o meu conhecimento prático. Segundo que os velhinhos que moram lá são tão doces e amorosos que dá gosto em ajudar.

O lugar é uma graça, a decoração é linda, super aconchegante. Cada quarto é decorado com a mobília própria do morador… uma mais linda do que a outra. Fotos e mais fotos do começo do século, flores, biscuits de porcelana fina. Uma das partes que eu mais gosto é ajudar no penteado das velhinhas, colocar aqueles colares de pérola e as fivelinhas no cabelo delas… afinal, não é porque as pessoas precisam de ajuda que a aparência deixa de contar. Todas ficam super arrumadinhas!!

Tenho que escrever um diário do meu estágio, com as respostas de algumas perguntas que a professora sugeriu + métodos que eu testei para estimular os pacientes. Ontem peguei na mão de uma das velhinhas e fiz um pouquinho de massagem enquanto conversava com ela. Ela ficava falando como as minhas mãos eram quetinhas e gostosas, e que as mãos delas também estavam ficando quentinhas que nem a minha. Batemos papo por 1 hora.

Hoje é meu dia de folga e vou para Gotemburgo passear com o Daniel. Inté.

October 9, 2006

Henrik Hedlund

Filed under: deviantart — marina (suecia) @ 5:41 pm

Mais um desenho feito hoje porque eu estou inspirada. O modelo é o auto-retrato de um fotógrafo sueco talentosérrimo chamado Henrik Hedlund. Ele costuma fazer fotos de músicos e natureza, mas é um “metalhead” assumido. Adorei brincar com a textura da pele, e o contraste… ficou bonitinho… hahahaha

Clique na imagem para ampliar e ver os detalhes. ;)

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